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Página virada

Artigo do ministro chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima

Artigo publicado no jornal Folha de São Paulo em 28/09/2016

Tendências/Debates

GEDDEL VIEIRA LIMA

Página virada


Vivemos um novo panorama governamental, marcado por mudanças de atitude, de ações e de métodos de trabalho. Ao assumir a responsabilidade de governar o país nos próximos dois anos e meio, amparado pela Constituição Federal, o presidente Michel Temer (PMDB)precisou optar entre dois caminhos.

Poderia escolher o mais cômodo, usando múltiplos instrumentos governamentais, e empurrar para baixo do tapete os graves problemas econômicos herdados do governo afastado por crime de responsabilidade.

Poderia trilhar, irresponsavelmente, a trajetória da popularidade fácil, manipular as contas públicas, administrar deficit orçamentário gigantesco, baixar artificialmente as taxas de juros, se apoiar no aumento sem lastro dos fundamentais programas sociais, deixar de lado o combate à inflação e postergar as reformas ditas impopulares.

Em contraponto a esse estelionato populista, o outro caminho seria o das medidas tidas como duras, sem as quais não sairemos do buraco em que o governo passado nos colocou. Combater a inflação, conter os gastos na administração pública e ter a coragem para debater as reformas -isso requer ousadia.

O caminho ousado foi o escolhido por Michel Temer, que inscreve, dignamente, seu nome na história. Com uma gestão firme, transparente e de diálogo, em pouco tempo pretende corrigir as distorções econômicas e sociais que marcaram profundamente os brasileiros.

No novo estilo de governar, o diálogo com o Congresso voltou a fluir. Não vivemos em um país autoritário, a interlocução entre os Poderes deve ser coesa e transparente. Para o país avançar, é necessário apontar prioridades e debater com legisladores. A base precisa estar unificada, a oposição deve cumprir seu papel nos limites da razoabilidade.

O presidente encontrou um Brasil com mais de 12 milhões de desempregados, inflação fora do controle, deficit de R$ 170 bilhões nas contas públicas e excesso de cargos de confiança ocupados pela militância político-partidária, em um claro aparelhamento da máquina pública.

O Brasil já sinaliza recuperação. No realismo de volta às contas, o governo propôs mudanças na meta fiscal, apresentou a PEC que limita os gastos públicos (respeitando os necessários investimentos em saúde e educação), revisou a projeção do PIB de 2017, cortou mais de 4.000 cargos em comissão, sancionou a Lei de Responsabilidade das Estatais.

A reforma previdenciária também precisa de amplo debate, a partir do qual será possível preservar aposentadorias e pensões, proporcionando maior segurança aos trabalhadores com a manutenção dos direitos já adquiridos.

Quanto aos programas sociais, a intenção é manter os existentes, promover melhorias e expansão, como no reajuste de 12,5% no Bolsa Família, ampliar o Minha Casa, Minha Vida, destinar mais recursos para a educação e ofertar 75 mil vagas para o Fies em 2016.

A escolha está feita. Vamos enfrentar as dificuldades e propor um novo rumo. É importante saber que no governo não há dilema, encruzilhada ou caminhos populistas, mas sim espaço para ações responsáveis e reformas.

Isso tudo exige coragem, renúncia, desprendimento, mais ação, menos descaso e, sobretudo, amor ao Brasil e compromisso com o futuro. Esse é o caminho.

GEDDEL VIEIRA LIMA é é ministro-chefe da Secretaria de Governo. Foi deputado federal (PMDB/BA, de 1991 a 2007) e ministro da Integração Nacional (governo Lula)